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O Poder do Perdão: Por que Perdoar é um Acto de Autocuidado (e não de Absolvição)

  • Writer: Bárbara Abreu
    Bárbara Abreu
  • 2 days ago
  • 2 min read

Muitas vezes, carregamos a mágoa como se fosse uma armadura necessária para nos protegermos de futuras desilusões. No entanto, a ciência psicológica sugere que manter o ressentimento é, na verdade, um fardo emocional que consome recursos cognitivos e afecta o nosso bem-estar físico.


1. O Ressentimento como "Veneno" Emocional

Existe uma metáfora comum que diz: "Guardar mágoa é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra." Embora pareça um cliché, há uma verdade biológica nisto. Manter estados de raiva prolongada mantém o nosso sistema nervoso em constante alerta (o estado de "luta ou fuga"), elevando os níveis de cortisol.

Perdoar não significa dizer que o que aconteceu foi "aceitável" ou "correcto". Significa, sim, decidir que aquela dor já não vai ditar a forma como vives o teu presente.


2. Desmistificar o Perdão: O que NÃO é perdoar

Para avançarmos de forma saudável, precisamos de separar os factos. O perdão psicológico é diferente do perdão social ou jurídico:

  • Não é validar o erro: Perdoar não apaga o facto nem justifica a acção do outro.

  • Não é reconciliação obrigatória: Podes perdoar alguém e decidir nunca mais falar com essa pessoa. O perdão é um processo interno teu; a reconciliação é um processo interpessoal que exige confiança mútua.

  • Não é esquecer: O cérebro humano está programado para recordar experiências negativas como mecanismo de sobrevivência. Perdoar é transformar essa memória de uma "ferida aberta" numa "cicatriz" — a marca está lá, mas já não sangra quando lhe tocas.


3. Recuperar o Controlo sobre o teu Bem-Estar

Quando condicionamos a nossa paz a um pedido de desculpas que pode nunca chegar, estamos a dar à pessoa que nos feriu o comando remoto das nossas emoções.

O ressentimento mantém-te acorrentado ao passado. Ao escolher o caminho do perdão (mesmo que seja um processo lento e não linear), estás a:

  • Libertar espaço mental: Menos tempo gasto em ruminação (pensar repetidamente no problema).

  • Reduzir o stress: Baixar a reactividade emocional perante a lembrança do evento.

  • Abrir terreno para novos recomeços: Deixar de olhar para a vida através da lente da injustiça sofrida.


Perdoar é, acima de tudo, uma escolha consciente. É decidir que a tua história de vida é mais importante do que a injustiça que te aconteceu. É limpar o "museu de mágoas" para que a tua mente possa ser um terreno livre para novas e melhores experiências.


A jornada para o perdão pode ser difícil e, por vezes, requer acompanhamento profissional. Se sentes que o passado ainda domina o teu presente, não hesites em procurar ajuda.

 
 
 

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